Experimentei o Vivaldi e gostei!
Alguns anos atrás, experimentei o Vivaldi e achei ele super inacessível, e por isso acabei não conseguindo usar. Recentemente, porém, esbarrei com o posicionamento da equipe de desenvolvimento contra a integração de IA no Vivaldi e decidi dar uma segunda chance. E que bom que eu dei, porque a minha experiência tem sido muito positiva.
Quando usei o Vivaldi pela primeira vez, o que mais me incomodava era a forma como a interface era personalizada. A maioria dos navegadores baseados em Chromium mantêm a interface nativa padrão e alteram só um botãozinho ou outro. O Vivaldi, por outro lado, abandona completamente a interface nativa e troca por uma interface toda personalizada feita com HTML, CSS e JavaScript. Isso significa que a navegação com o NVDA é semelhante a uma página web, o que é extremamente positivo em termos de usabilidade e acessibilidade, já que dá muitas ferramentas simples pra deixar tudo acessível. O único ponto negativo disso é que fica tudo (UI do navegador e conteúdo da página) no mesmo documento, então é uma curva de aprendizado com o leitor de telas no começo.
Mas anos atrás, as barras de ferramentas eram cheias de botões sem nome, o foco se comportava de maneira estranha e imprevisível e não tinha nenhuma forma simples de resolver isso. Hoje muitos desses problemas já foram corrigidos e tem várias opções relacionadas à movimentação do foco nas configurações.
Além disso, também dá pra configurar atalhos de teclado pra fazer várias ações no aplicativo, o que deixa ele ainda mais poderoso e abre caminho pra uma usabilidade mais fluida com teclado, um ponto que falta em todos os navegadores que já usei. No Firefox, por exemplo, eu detestava a falta de um atalho de teclado pra focar a barra de favoritos, porque eu sou o louco dos favoritos. Por padrão, o Vivaldi também não tem um atalho, mas é só configurar e pimba!
Inclusive, uma outra opção também é trocar a barra de favoritos pelo painel de favoritos, que é bem prático tanto pra usar os favoritos, quanto pra gerenciá-los.
E por fim, o cliente de e-mail é um chuchuzinho. Não é um substituto perfeito pro meu cliente atual, mas é bastante capaz pro dia-a-dia de receber mensagens, ler e jogar fora. Embora ele não seja totalmente acessível, dá pra ver que a equipe dedicou certo esforço pra fazer tudo funcionar, e isso já vale muito!
No geral, eu fiquei genuinamente surpreso com a qualidade do trabalho no navegador e com a melhora da acessibilidade desde a última vez que experimentei alguns anos atrás. Me alegra saber que no meio de toda essa enshitificação pela qual a web e a computação no geral estão passando nas últimas décadas ainda existem organizações comprometidas a realmente entregar uma experiência de qualidade. O Vivaldi definitivamente virou o meu navegador xodó!