O BJJ me ensinou
Um mês atrás comecei a lutar BJJ e já tô completamente apaixonado. Em tão pouco tempo, já aprendi boas lições, cultivei virtudes e desenvolvi uma relação mais saudável comigo mesmo.
E quando falo que "o BJJ me ensinou", não é só sobre a arte em si, mas principalmente sobre as pessoas que se comprometem em aprender, ensinar e dar o melhor de si em todos os treinos, e, claro, aos grandes mestres, porque todos nos erguemos sobre os ombros de gigantes!
Mas é especialmente insano refletir como tudo que a arte suave me ensinou e ensina dentro do tatame se traduz pro meu processo de cura da depressão.
O BJJ me ensinou a prestar atenção ao meu corpo e escutar os seus sinais sem julgamento. É quase uma meditação -- observar as sensações passarem, como nuvens fofas e cinzentas em um céu azul brilhante.
O BJJ me ensinou a respirar e ter calma, mesmo quando todos os sinais de alerta estão soando ao mesmo tempo, mesmo quando meu corpo diz "chega", mesmo quando minha mente quer desistir. A dor não é o fim da linha, o medo não precisa ser gigante, o cansaço não é pra sempre e o pânico não vai tomar conta de mim.
O BJJ me ensinou que mesmo estando caído, preso ao chão e com todas as forças contra você, ainda é possível encontrar um caminho, dar um jeitinho de se livrar do desalento, e dar a volta por cima.
O BJJ me ensinou que ser amassado, pisado ou jogado faz parte da luta. Mas não devo aceitar calado ser maltratado. Meu sofrimento não é colchão nem tapete de ninguém.
O BJJ me ensinou que toda luta tem algo a me ensinar, mas que nem toda luta merece tudo de mim. Nem sempre tudo de mim é o melhor de mim. Às vezes o melhor de mim é ser o melhor aluno, às vezes é ajudar meu parceiro a dar o melhor de si. Mas seja como for, uma luta é só um passo da guerra.
E acima de tudo, o BJJ me ensinou que minha guerra não é dentro do tatame, e sim na rua. E que eu sou um guerreiro todos os dias que escolho lutar. E sou vitorioso mesmo sem vencer, só por me erguer apesar do peso sobre os meus ombros.