Tenho Desejo de Abraçar Hambúrgueres
Queria dizer algo importante, mas esqueci, porque não consigo parar de pensar no cabelo dela, na sensação dele nas minhas mãos e no cheiro quando eu mergulho o rosto na curva do seu pescoço.
Mas não é sobre ele que eu queria falar.
Era alguma coisa relacionada a prédios, talvez tenha a ver com o horizonte. Ou talvez tenha a ver com um grande lobby, como naquela cena de Matrix Reloaded em que eles vão atrás do... Como era o nome dele?
Lembro que tinha a ver com arte, me remete a colecionador, restaurador... Ah, droga. Perdi de novo.
Ok, é O Merovíngio!
E agora tá chovendo lá fora. Já faz alguns dias que não chovia, e eu fico feliz pelas plantinhas. Além de me dar uma vontade gostosa de dançar na chuva, embora eu não dance e tenha medo de pegar um resfriado.
Plantinhas! Acho que é isso. Eu lembrei de quando era criança e tinha que fazer aquele experimento de plantar grãos de feijão em uma bolinha de algodão. Acho que eu fiz umas duas vezes, e sempre achava fascinante como aquele grãozinho que normalmente viraria almoço conseguia, no meio de uma bolota branca, fofa e sem graça, crescer e se tornar uma planta. Tipo, uma planta de verdade mesmo!
E eu ainda fico surpreso com a vida por essas coisas bobinhas todos os dias, tipo o bambu da sorte que temos aqui em casa, plantado na água. Na água! Se eu tentasse viver só de água, acho que não daria muito certo.
Aqui tem também uma coroa de cristo, que é um cacto. Essa é o oposto; raramente precisa de rega. Os cactos dos desertos vivem completamente sem água externa, porque eles aprenderam a extrair de um ambiente hostil o nutriente mais importante e guardá-lo.
E hoje eu abri a porta de casa para um manjericão. Ele tá lindo e verdinho, todo feliz e forte. E cheiroso também. O que me lembra do cabelo dela e por que eu estou escrevendo isso em primeiro lugar.
Eu queria só falar de como eu estou me sentindo nesse momento da minha vida. Depois de tantas mudanças em tão pouco tempo, acho que finalmente posso dizer que estou bem e confortável. Todos os dias tentando resolver alguma loucura diferente dentro da minha cabeça, entretanto satisfeito com o caminho que eu vejo à frente, ainda que eu possa ver bem pouco. Mas uma lição que eu aprendi com os feijões da escola é que a gente só precisa crescer um pouquinho de cada vez com os recursos e ferramentas que temos, mesmo que estejamos enfiados numa bolota de algodão.
E eu sou apenas um feijãozinho neurodivertido, plantado com carinho pra germinar na bolota de algodão da vida.